Estes dias atrás eu conversava com alguns alunos e um deles reclamou: “ninguém me ouve na empresa, professor!”. Ele se referia à participação em reuniões, em que eram todos motivados a falar. No entanto, ele tinha uma incrível dificuldade em dar sua contribuição.

Então, eu lhe comentei sobre minha própria experiência. Afinal, eu também tinha passado por situações semelhantes, em que ficava tentando falar em reuniões, mas a todo instante que eu tentava dizer algo, outra pessoa me passava à frente, mesmo que meu dedo estivesse apontado para cima, solicitando a vez de falar.

Pois bem. Um dia, muito enfurecido, começou uma reunião. Eu estava visivelmente incomodado. Afinal, para que eu iria participar, se ninguém ia me ouvir mesmo?

Na reunião, minha postura foi ficar quieto. Apenas observando. Anotava falas importantes, prestava atenção a todas as contribuições interessantes e a todas as bobagens que saiam das mentes ávidas por aparecer.

Curiosamente, naquele dia, quase no final da reunião, um dos líderes parou um instante e me perguntou qual era a minha opinião. Meio sem jeito, pois foi inesperado, disse poucas palavras, tocando direto ao ponto em que eu acreditava ser importante. Na opinião deles, fui objetivo e claro.

Continuei desta maneira em outras reuniões. Agora, muito tempo depois, quando eu tenho a iniciativa de falar, tenho voz ativa.

Só posso imaginar que isso deve-se ao fato de que aprendi a ouvir.

Vejo isso com relação a outras pessoas. Quando estou falando, aceito todas as interrupções. Mas, oh, se faço um comentário, elas perdem o raciocínio e reclamam de mim. Ou, em outra situação, mantenho-me quieto, prestando atenção, sem dizer uma só palavra a não ser um “ahn-han” ou algo semelhante, que concorde ou demonstre atenção. Então, neste caso, sou bom ouvinte e todos gostam de mim.

Quer saber de uma coisa? Muita gente diz que é ótimo conversar comigo, mesmo sem perceber que foi um monólogo – somente eles “conversaram”.

O mundo todo quer falar. Se você for a pessoa que vai escutar, pode ser que ganhe muito mais do que imagina. Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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