Acabei de ver um filme, daqueles que a gente tem que rever várias e várias vezes, para refrescar a mente. Em um determinado momento, versava sobre como nossos hábitos estão arraigados em nosso comportamento, inclusive explicando como esta manutenção ocorre fisiologicamente nas sinapses do cérebro e também na produção de peptídeos (uma espécie de hormônios) pelo nosso corpo.

Segundo o vídeo, conforme nosso estado de espírito e objetivos, um tipo de peptídeo é gerado, levando a informação até o nível de cada célula. Assim, o corpo reagiria à libido, à fome, sono e até mesmo auto-estima.

Bem, para falar a verdade, não foi esta parte técnica que mais me chamou a atenção, mas foi principalmente quando falou-se das ligações neurais permanentes que definem nossa forma de comportamento. Caso mudássemos de comportamento e assim fizéssemos por um tempo, uma nova ligação neural seria formada e novos comportamentos tornariam-se o novo padrão para nossas reações diante do mundo.

É uma explicação biológica à mudança de comportamento. Conforme esta nova rede neural, o corpo passa a secretar peptídeos com outra informação e assim passaríamos a reagir diferentes em resposta à nossa percepção do mundo.

Aí, para um exercício meditativo, resolvi acender um incenso. Afinal, dos sentidos, o olfato é um dos mais primitivos e sensíveis e sempre temos melhores resultados quando o sensibilizamos de alguma forma.

Para escolher qual acenderia, dei uma lida nos rótulos de cada tipo que tinha em casa. Pois bem. A maioria dizia algo do tipo “contra a inveja”, “contra feitiços”, “contra mau-olhado”. Aí percebi que poderia ter sido vítima de minha própria percepção a respeito do momento que estou vivendo.

Nossa mente, como já dissemos, está a todo tempo preocupado em nos salvar, em nos proteger. No entanto, muitas vezes, não temos como saber se estamos vivendo uma situação fantasiosa, produzida pela mente. Na prática, muitas vezes vivemos na mentira – de uma falsa avaliação do passado ou de uma preocupação com o futuro que não existe.

Também sabemos que tudo no Universo age em sintonia. Onde eu estava mesmo com a cabeça ao comprar os incensos? Acreditando em conspirações contra mim? Talvez. Ou porque, simplesmente, gosto do cheiro de canela e, um dia, disseram-me que era o aroma da prosperidade.

Por via das dúvidas, acendi um incenso que, no rótulo,dizia: “relaxament, boas energias”. Bem melhor. E você? Em que tem acreditado? Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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