Ontem eu conversava com um amigo – professor Eduardo Silva – e contava a ele coisas sobre caminhadas de peregrinação. Então, percebi o valor de um dos ensinamentos que é adquirido em uma jornada dessas.

Eu tenho a preferência de não agendar um grupo para peregrinar. Simplesmente entro em contato com a organização do caminho, vejo as datas disponíveis e lá vamos nós. Tem sido assim em todos os nove caminhos que já percorri. Se houver mais alguém no mesmo período – sempre aconteceu nas peregrinações a pé – muito bem. Senão, será uma jornada solitária – como ocorreu nas minhas três peregrinações de bike.

Mas, a idéia de hoje nem é falar das maravilhosas e instantâneas amizades que se forma. A idéia é falar sobre caminhar em grupo.

Muito bem. É hábito saudável todos tomarem o café da manhã juntos. A rotina é acordar, arrumar as mochilas, ir para o café da manhã, confraternizar, preparar as mochilas e partir. Quase sempre, saímos juntos. No entanto, ao longo do dia, cada um vai fazendo o seu ritmo do dia. Algumas vezes, acompanhamos uma pessoa especificamente, outras vezes, estamos com um outro amigo de caminhada e assim por diante.

Os ponteiros chegam, acomodam-se e depois aguardam os demais. Então, procede-se uma festa. Aos que aguardam, a alegria de ver o outro conquistar mais um trecho do trajeto, oferecendo sua solidária recepção. Aos que chegam, a felicidade de mais um objetivo cumprido e a receptividade do outro que lhe aguardava.

Com paciência e disciplina, todos chegam. Esse é o natural.  Os caminhos, sobretudo os do Brasil, são projetados com distâncias compatíveis e possíveis para uma gama enorme de nuances e níveis de peregrino.

Quando partimos, no primeiro dia, temos um objetivo. Sair hoje e chegar alguns dias depois e vários quilômetros à frente. Preferencialmente, inteiros! Mas, ao longo dos dias, fracionando o caminho, temos metas. Uma quantidade de quilômetros que deve ser percorrida preferencialmente naquele dia (!). Afinal, ninguém deseja passar a noite ao relento ou em algum lugar que não estava programado.

Para cumprir as metas do dia, cada um faz seu ritmo. Uns mais lentos, outros mais velozes. Mas todos chegam, afinal.

Como você aplicaria isso a sua vida? Conseguiu visualizar alguma situação na sua vida pessoal ou profissional em que as metas devem ser atingidas em conjunto com outras pessoas? Sinta que é possível seguir, cada qual o seu ritmo, adequado às batidas do coração. Pense nisso! Até a próxima semana.

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