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dinheiro | Via Peregrina

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A todo tempo somos bombardeados pela imagem de que precisamos ser eficientes. Tudo no mundo está rápido demais e, uma vacilação qualquer e tudo estará perdido.

Primeiro, pode até ser que o mundo esteja girando mais rápido, fazendo com que a nossa percepção do tempo tenha mudado. Mas, francamente, acredito que, se mudou, seria insuficiente para que percebêssemos algo. O que realmente aconteceu foi o aumento de tarefas que tivemos, inclusive pela cobrança pela eficiência.

Estava, neste fim de semana, em uma corriqueira compra de móveis. Eu e minha mulher passamos por várias lojas, buscando as informações. No final do primeiro dia, estávamos exaustos, mas com uma ou duas ótimas opções. Uma delas, prestes a fechar.

A lei da eficiência diria para que fechássemos o negócio rapidamente. Bom, sinceramente, se tivesse fechado na primeira loja, com o tempo certamente eu me arrependeria. Então, analisando, ignorando a lei da eficiência, encontrei melhores produtos.

No dia seguinte, fomos até outro centro de compras. Encontramos artigos bem mais caros e uma opção que concorria diretamente com a melhor opção do dia anterior. Então, paramos, pensamos e percebemos que, comparando, havia uma escolha melhor e foi essa que fizemos – era a proposta do primeiro dia.

Nesta hora, poderíamos questionar: então perdemos tempo procurando por novas opções no dia seguinte? Pois vou lhes contar que, absolutamente, não. Fizemos uma tarefa eficaz. Em outras palavras, tomamos a tarefa correta. Afinal, enquanto entregávamos nosso dinheiro pela mercadoria, estava fortalecido em nosso sentimento a certeza de que fizemos o melhor negócio possível.

Essa confiança faz toda a diferença, principalmente na satisfação e contentamento pelo negócio realizado. Portanto, na próxima vez, respire, dê um passo para trás e pense um pouco mais. Procure outras opções. Pode ser que encontre melhores negócios. Mas, se ocorrer o contrário, as opções eram menos interessantes, então estas últimas sinalizarão que sua escolha final é a melhor do momento.

Assim, pode ocorrer em várias outras tarefas do seu dia. Ser eficiente pode nos levar a realizar tudo rapidamente. Mas ser eficaz nos traz a satisfação e senso de realização. Pense nisso! Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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Em uma cidade como São Paulo, muitas vezes fica difícil pensar em desvencilhar de objetos, principalmente grandes, como móveis, sem que isso cause algum transtorno. Acaba sendo comum ver pelas ruas sofás, estantes e pedaços de madeira sendo jogados em terrenos baldios, praças públicas ou muros em ruas de pouco movimento.

Pois eu estava justamente com um problema desses, quando fiquei sabendo de uma tal “Operação Cata-Bagulho”, do qual nunca havia aproveitado. Sábado de feriado, logo cedo pulei da cama, para arrumar tudo. A previsão era passar às 9h30.

A rua estava tranquila, pouco movimento. Exceção à minha casa e a da minha vizinha, duas casas acima, que mais parecia estar fazendo uma mudança. E, de certa forma, estava mesmo.

Contagiado por esse espírito renovador, três vizinhos da frente também tiraram móveis velhos, eletrodomésticos sem valor e colocaram tudo nas calçadas. Um senhor, que trabalha com sucata – verdadeiro agente ambiental, ainda mais considerando nossa vida moderna – gentilmente pediu a todos uma permissão para aproveitar o que pudesse, o que foi concedido, sem dúvida.

Quando o caminhão chegou, os funcionários da prefeitura espantaram-se e até mesmo esboçaram uma reação inesperada – ficaram quase irritados, dizendo “Que é que isso? Só o que tem aqui dá um caminhão cheio!”.

Após terem ido embora, a sensação na rua era curiosa. Parecia que tudo havia ficado mais leve. Entrei dentro de casa, e o clima de renovação estava no ar. Senti-me muito feliz. Racionalmente, pela tarefa cumprida, pois já era um projeto quase antigo, limpar o depósito da casa e jogar fora o que não mais fazia sentido guardar. Mas, o sentimento de ar renovado persistiu, mesmo contemplando o chão da casa cheio de poeira, pela movimentação dos móveis velhos.

Pensei no sucateiro – que, assim como os funcionários da prefeitura e lixeiros, são agentes de saúde e do meio ambiente (pense a respeito, e verá como lhes devemos muito, mesmo em suas profissões sem muito valor em nossa sociedade) – e no benefício que ele teve hoje. O que não servia mais para nós, certamente terá uso para ele, que poderá, assim, desenvolver o negócio dele e sustentar a família que depende deste trabalho.

Terminei o dia esvaziando uma lata de tinta velha, aproveitando para pintar uma parede suja do quintal. Parede renovada, tinta utilizada, lata descartada. Tudo como deve fluir.

Ainda não sei o resultado de tudo isso. Mas, meu sentimento, minha intuição, é de que minha vida vai fluir melhor. A energia que estava parada e estancada em casa, já foi embora. O sentimento de renovação já está no ar.

Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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