por José Palma

Esta é uma questão que sempre vem à tona, e constantemente me pergutam. Diversas vezes tive a oportunidade de abordar o tema nas palestras que tenho proferido. Desde que o Caminho do Sol foi inaguruado, em julho de 2002, passei a ter muito contato com romeiros que seguem rumo a Pirapora, pois alguns trechos do Caminho são comuns a ambos. O curioso fica por conta dos “destinos invertidos”, pois o Caminho do Sol segue sentido interior (Águas de São Pedro) e os romeiros seguem no sentido capital (Pirapora do Bom Jesus).

Como simples observador da vida, pude perceber detalhes e hábitos culturais, típicos de nossa brasilidade. Um grande número de romeiros faz a romaria com o objetivo de pagar uma promessa, em função de graça ou benefício alcançado. Um grande número de peregrinos faz a peregrinação movidos pela fé. Os romeiros caminham rápido, quase de forma ininterrupta. Os peregrinos caminham de forma contemplativa, não têm pressa para concluir sua jornada. Os romeiros querem, portanto, “chegar” ao destino. Os peregrinos querem “estar” no caminho. Os romeiros têm preferência para caminhar em grupos. Os peregrinos preferem a solitude. Os romeiros têm um período específico do ano para caminhar. Os peregrinos caminham qualquer época do ano. Os romeiros levam consigo o dever de cumprir uma penitência. Os peregrinos levam sua mochila e seu cajado. Mas o verdadeiro aprendizado vem de ambos.

Tanto os romeiros quanto os peregrinos carregam em seus corações a bandeira branca do amor, da paz, da compreensão e da fraternidade. Portanto, seja você romeiro ou peregrino, venha! Somos todos seres humanos. Vamos juntos semear um mundo melhor, mais simples, mais humano, com mais qualidade de vida. Com respeito e amor ao meio ambiente, preservando a natureza. Afinal, nossos bisnetos vão precisar!

José Palma é idealizador do Caminho do Sol.

Matéria originalmente publicada na 
Tribuna de São Pedro em 21 de março de 2009.
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