Archive for May, 2010

Por: Paulo Coelho

Certa manhã, eu caminhava com um amigo argentino pelo deserto do Mojave, quando vimos algo brilhando no horizonte. Embora nosso destino fosse ir até um vale, mudamos nosso caminho para ver o que emitia tal brilho.

Durante quase uma hora, debaixo de um sol cada vez mais forte, nos dirigimos para lá – e só conseguimos descobrir o que era quando chegamos.

Era uma garrafa de cerveja, vazia. Devia estar ali há anos; a areia tinha cristalizado no seu interior.

Como o deserto já estava muito quente aquela hora, decidimos não ir mais até o vale.

Na volta, eu pensava: quantas vezes deixamos de seguir o nosso caminho, atraídos pelo falso brilho do caminho ao lado?

Mas pensava também: se eu não fosse até lá, como ia saber que era apenas um falso brilho?

Postado originalmente em: Paulo Coelho/G1, em 20/05/2010

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Quando a gente sai para uma jornada, seja ela qual for, uma nova visão de vida, um projeto profissional ou mesmo uma caminhada de peregrinação, temos o hábito de pensar em levar tudo o que achamos necessário para o sucesso da empreitada.

Antes de colocar tudo nessa mochila – a nossa “cabeça”, nossa mente,  que recheamos com emoções, sentimentos e pensamentos – é preciso parar e refletir.

Podemos classificar quase tudo o que é “necessário” em três categorias: SUPÉRFLUO  (pode ser descartado, sem prejuízo algum), IMPORTANTE (pode ser interessante em alguma situação) e ESSENCIAL  (sem eles, simplesmente NÃO há como seguir).

Na maioria das vezes, temos a sensação de estarmos vivendo somente no supérfluo ou até o importante, deixando de realizar tarefas ou de colecionar experiências ou objetos essenciais para nosso crescimento. Temos a sensação de perda, o que traz outros problemas para nossa saúde física e mental.

A pergunta, sempre é: “por que tenho que levar isso na minha mochila? É, realmente, essencial?”. Se o sentimento lhe responder “sim”, vá em frente. Se houver uma dúvida, no mínimo, classifique-o como importante ou supérfluo.

Escolha o seu dia e suas experiências. Veja, em sua vida, tudo o que, de fato é essencial para você. Assim, certamente, ela ficará mais leve. Agradeça, sempre. É uma forma de deixar para trása o peso que a consciência teima em deixar na nossa vida. Pense nisso. Sinta como está cheio de idéias a respeito de sua nova vida – a que começa agora, neste exato momento. Ouça sua voz interior! Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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