Archive for April, 2009

Uma de nossas tarefas principais na vida é manter nosso bom nível de energia. Não apenas a energia física, conseguida pelos alimentos, mas a energia vital, obtida com nossas atitudes, pensamentos, comportamentos e relacionamentos.

A nossa energia pessoal deve ser compartilhada com todos os que estão à nossa volta – amigos, parentes e familiares – e até mesmo com quem não temos relação alguma – quando fazemos caridade e interagimos com alguém que sequer conhecíamos antes.

Mas, temos sempre que verificar se não estamos, de certa forma, nos sentindo vampirizados. Ou seja, se na nossa situação de vida, outras pessoas estão extraindo mais de nossa energia do que deveriam, nos deixando enfraquecidos e cansados.

Ao contrário do que a maioria pensa, nem sempre é o inimigo quem extrai nossa energia. Isso pode acontecer em uma amizade e até mesmo em um relacionamento afetivo ou familiar. De qualquer maneira, cabe a nós manter nosso bom fluxo de energia.

No Amor, temos uma capacidade de nos entregar e doar o que temos de melhor. Quando isso acontece, ele se manifesta em sua plenitude. Nesta hora, há uma intensa troca de emoções e sentimentos que descrevem à nossa alma toda a beleza do Amor Verdadeiro.

Quando sentimos que, em uma relação, nossa energia está se esvaindo, temos que parar e analisar o fato. Pode ser que aquela seja uma situação temporária, uma carência que alguém próximo a você está sentindo naquele momento. Mas, pode também ocorrer daquela situação ser um pouco mais enraizada no caráter da pessoa que está subtraindo sua energia.

Em ambos os casos, existem pelo menos duas formas básicas de barrar este fluxo energético. Uma delas é a prece. Faça uma oração – por mais simples que seja, há muito poder na oração – e peça, sinceramente, que o Universo abençoe aquela pessoa e que lhe dê toda a energia necessária. Disponha-se a doar também, mas deixe claro que não quer nada em troca.

Uma vez, eu estava com um amigo em um restaurante, que me contava um caso muito impressionante sobre a influência de uma pessoa sobre a outra. Essa influência havia transcendido o espírito e estava materializando-se em forma de enfermidade no corpo de uma amiga que tínhamos em comum. Ela estava somatizando a energia que estava sendo subtraída de si.

Em um determinado momento da conversa, em que ele estava comentando todo o caso, comecei a sentir minha energia se esvaindo. Uma sensação física de fraqueza, um pouco de falta de ar e muito sono, como vontade de ficar com os olhos fechados. Fiz essa pequena prece e os resultados foram impressionantes. Logo após mentalizar “Senhor, por favor, ajude essa nossa amiga. Dou toda energia que seja necessária, mas não quero nada em troca”, meu amigo começou a passar mal.

Imediatamente, nos levantamos e ele foi até a janela do estabelecimento, para que pudesse respirar melhor. Ele tentava puxar o ar, mas não conseguia. Sentia-se sufocado, as mãos espalmadas sobre o peito, perto da garganta. Então, instintivamente, pedi para que ele fizesse uma oração comigo. Lembramos do “Pai Nosso” e assim fizemos. Ao final da prece, ele estava melhor, recompondo-se. Alguns minutos mais tarde, ele estava bem, mas assustado sobre o que sentira.

Algum tempo mais tarde, contei-lhe o que aconteceu – de minha parte. Ambos concordamos que a oração tem, realmente, um efeito instantâneo e poderoso em nossas vidas.

Outra maneira de nos resguardamos é buscar alguma forma de afastamento. Se for dentro do âmbito familiar, pode ser que fique difícil essa situação, pois não deixamos de ser pais, filhos, irmãos ou netos. Essa escolha é impossível de mudar. Mas podemos amenizar a relação buscando outras situações que diminuam a intensidade do relacionamento naquele período. Isso é o suficiente para que nós possamos nos refazer e estarmos prontos para a doação. No entanto, é preciso estar sempre alerta e vigiante. Podemos doar sempre o necessário, mas somente até o limite de estarmos bem.

Pode parecer egoísta essa posição, mas é preciso lembrar da máxima que o Grande Mestre nos deixou como seu maior legado. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

É importante ter consciência de que há uma energia inteligente maior, que comanda tudo no Universo, e ser grato por toda nossa vida. Nossa obrigação com o Senhor é agradecer, sempre. É nossa forma de retribuir todas as experiências que Ele nos proporciona nesta vida.

Como estávamos dizendo, a segunda parte da máxima nos traz um ensinamento igualmente importante: é preciso amar a si mesmo. É preciso cuidar de si, de forma a estar pronto a doar-se para outras pessoas. Mas de forma generosa – não egoísta – amando também ao próximo.

Já ouvimos tantas vezes que “É preciso, primeiro, estar bem. Depois, temos como ajudar o próximo”. Ou, quando rimos de uma situação, comentamos que “é o roto ajudando o esfarrapado”. É certo que, nesta segunda frase, há ainda a beleza da solidariedade no limite das possibilidades. No entanto, a melhor forma de praticarmos a caridade, certamente, é quando podemos doar o melhor de nós mesmos.

Mas, há situações em que nossa capacidade de lidar com pessoas que nos sugam a nossa energia vital esgotou-se. Normalmente, por nossa falha mesmo, pelas nossas escolhas e comportamentos, a situação pode ter se tornado irreversível. Pode ser no próprio ambiente de trabalho.

Neste caso, comece a verificar a possibilidade de mudança. Mentalize uma nova oportunidade – como já tivesse sido alcançada – e peça, sinceramente, em oração, para que ela se materialize. Tome uma decisão. Prepare-se adequadamente e, quando sentir-se seguro, afaste-se.

Vários e vários casos de afastamento – de um emprego, por exemplo – são relatados diariamente em milhares de conversas pelo mundo. Normalmente, quando a decisão de afastamento partiu da própria pessoa, a sensação é de alívio. Um peso foi retirado das costas. Uma paz interior invadiu a alma, substituindo, muitas vezes, a sensação de impotência diante da situação. Muitas vezes, não só essa sensação boa é maior do que qualquer insegurança em relação ao futuro, como também costuma trazer força e esperança em uma vida melhor.

No caso de relacionamentos afetivos, ao contrário dos relacionamentos familiares, há, sim, a possibilidade de escolher se queremos continuar sendo relacionados ou não. No entanto, é necessário analisar com muita calma e consultar seus sentimentos com muita atenção.

Pode ser que seja um momento da vida da pessoa e que merece uma atenção ainda mais especial. Pode ser que seja uma atitude egoísta e arraigada na personalidade dela. Em todo caso, há sempre a possibilidade de ajudarmos.

É preciso saber, no entanto, que mesmo que a atitude seja parte da personalidade da pessoa, pessoas mudam. Mudam pelo próprio querer delas. Sofremos muito quando queremos mudá-las e essa tarefa, atenção, NÃO é nossa. Temos responsabilidade sobre nossa própria formação. Podemos orientar, conversar, mas não temos o poder de mudar ninguém. Nossa própria mudança depende apenas de nós mesmos, de nossa vontade e de nosso interesse em mudar.

O tempo e as novas experiências trazem muita sabedoria e conhecimento. Analise, com calma o que deve ser feito, qual a direção a seguir. Mantenha-se cuidadoso em manter sua boa energia. Faça uma prece para você e para os demais quando sentir em perigo ou em situações em que sua energia está se esvaindo. Cuide-se.

Rodolfo Nakamura
Texto originalmente publicado
em 03 de setembro de 2007
na versão anterior deste blog.

  • Share/Bookmark

Em uma cidade como São Paulo, muitas vezes fica difícil pensar em desvencilhar de objetos, principalmente grandes, como móveis, sem que isso cause algum transtorno. Acaba sendo comum ver pelas ruas sofás, estantes e pedaços de madeira sendo jogados em terrenos baldios, praças públicas ou muros em ruas de pouco movimento.

Pois eu estava justamente com um problema desses, quando fiquei sabendo de uma tal “Operação Cata-Bagulho”, do qual nunca havia aproveitado. Sábado de feriado, logo cedo pulei da cama, para arrumar tudo. A previsão era passar às 9h30.

A rua estava tranquila, pouco movimento. Exceção à minha casa e a da minha vizinha, duas casas acima, que mais parecia estar fazendo uma mudança. E, de certa forma, estava mesmo.

Contagiado por esse espírito renovador, três vizinhos da frente também tiraram móveis velhos, eletrodomésticos sem valor e colocaram tudo nas calçadas. Um senhor, que trabalha com sucata – verdadeiro agente ambiental, ainda mais considerando nossa vida moderna – gentilmente pediu a todos uma permissão para aproveitar o que pudesse, o que foi concedido, sem dúvida.

Quando o caminhão chegou, os funcionários da prefeitura espantaram-se e até mesmo esboçaram uma reação inesperada – ficaram quase irritados, dizendo “Que é que isso? Só o que tem aqui dá um caminhão cheio!”.

Após terem ido embora, a sensação na rua era curiosa. Parecia que tudo havia ficado mais leve. Entrei dentro de casa, e o clima de renovação estava no ar. Senti-me muito feliz. Racionalmente, pela tarefa cumprida, pois já era um projeto quase antigo, limpar o depósito da casa e jogar fora o que não mais fazia sentido guardar. Mas, o sentimento de ar renovado persistiu, mesmo contemplando o chão da casa cheio de poeira, pela movimentação dos móveis velhos.

Pensei no sucateiro – que, assim como os funcionários da prefeitura e lixeiros, são agentes de saúde e do meio ambiente (pense a respeito, e verá como lhes devemos muito, mesmo em suas profissões sem muito valor em nossa sociedade) – e no benefício que ele teve hoje. O que não servia mais para nós, certamente terá uso para ele, que poderá, assim, desenvolver o negócio dele e sustentar a família que depende deste trabalho.

Terminei o dia esvaziando uma lata de tinta velha, aproveitando para pintar uma parede suja do quintal. Parede renovada, tinta utilizada, lata descartada. Tudo como deve fluir.

Ainda não sei o resultado de tudo isso. Mas, meu sentimento, minha intuição, é de que minha vida vai fluir melhor. A energia que estava parada e estancada em casa, já foi embora. O sentimento de renovação já está no ar.

Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

  • Share/Bookmark

Hoje é um dia especial para falar no tema. Afinal, depois do domingo de Páscoa, em que refletimos sobre a morte e ressureição do Grande Mestre, ou antes disso, a comemoração judaica do êxodo dos israelitas do Egito, no reinado do faraó Ramsés II.

Analisando as duas passagens, podemos focar na passagem de Jesus da morte para a vida e, no caso dos israelitas, e da escravidão para a liberdade.

É neste ponto que comecei a pensar sobre o tema de hoje. Sobre a transformação libertadora e vivificante do perdão.

Gosto muito de pensar na própria palavra como chave para compreender a idéia que está por trás do conceito. “Perdoar”, do latim “perdonare”, ou mesmo em inglês “forgive”, transmitem sempre a mesma idéia: “para doar”. Ao me dar conta disso, foi impossível não lembrar de uma das derradeiras frases do Mestre, “Perdoa-lhes Pai, eles não sabem o que fazem”.Ele se foi para que seu próprio sacrifício libertasse toda a humanidade. E foi esse seu último pedido. Dê-lhes a liberdade.

Finalmente, pensar na ação libertadora que é perdoar ao próximo. Em compreender a falha alheia, em saber que a outra pessoa agiu daquela forma porque era o melhor que poderia fazer naquele momento.

Na maioria das vezes, é difícil imaginar que causar mágoa, ferir alguém de algum modo, ou até prejudicá-la é o melhor que se pode fazer. No entanto, é preciso ver o que está por trás daquele momento – as fraquezas, limitações, falta de consciência, emergências, ou tantos outros fatores que resultaram naquela experiência.

Pode ser que você tenha que digerir uma situação ruim. Faça-o, decompondo, desconstruindo todas as partes. Mas, simplesmente descreva, objetivamente, sem emoção, toda a cena e tente compreender o ambiente, o momento imediatamente anterior. Veja as hipóteses possíveis. Verá que surgirá a compreensão do que houve. Perceberá que, de fato, a ação foi, na essência, bem intencionada, mesmo que tenha causado algum estrago.
Perdoar certamente não corrigirá todos os problemas. NÂO mudará o passado. Mas permitirá uma nova leitura do que houve e, principalmente libertará sua vida e seus pensamentos para sua felicidade agora e para um novo futuro.

Dê sua compreensão. Faça fluir a energia amorosa que, em seu íntimo, foi feito PER DOARE. Perdoa. Inclusive, a si mesmo. Dê esse sentimento para todos em sua vida e receberá de volta a energia restauradora e construtiva de que tanto precisas para viver… e prosperar.

Pense nisso! Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

  • Share/Bookmark

Acabei de ver um filme, daqueles que a gente tem que rever várias e várias vezes, para refrescar a mente. Em um determinado momento, versava sobre como nossos hábitos estão arraigados em nosso comportamento, inclusive explicando como esta manutenção ocorre fisiologicamente nas sinapses do cérebro e também na produção de peptídeos (uma espécie de hormônios) pelo nosso corpo.

Segundo o vídeo, conforme nosso estado de espírito e objetivos, um tipo de peptídeo é gerado, levando a informação até o nível de cada célula. Assim, o corpo reagiria à libido, à fome, sono e até mesmo auto-estima.

Bem, para falar a verdade, não foi esta parte técnica que mais me chamou a atenção, mas foi principalmente quando falou-se das ligações neurais permanentes que definem nossa forma de comportamento. Caso mudássemos de comportamento e assim fizéssemos por um tempo, uma nova ligação neural seria formada e novos comportamentos tornariam-se o novo padrão para nossas reações diante do mundo.

É uma explicação biológica à mudança de comportamento. Conforme esta nova rede neural, o corpo passa a secretar peptídeos com outra informação e assim passaríamos a reagir diferentes em resposta à nossa percepção do mundo.

Aí, para um exercício meditativo, resolvi acender um incenso. Afinal, dos sentidos, o olfato é um dos mais primitivos e sensíveis e sempre temos melhores resultados quando o sensibilizamos de alguma forma.

Para escolher qual acenderia, dei uma lida nos rótulos de cada tipo que tinha em casa. Pois bem. A maioria dizia algo do tipo “contra a inveja”, “contra feitiços”, “contra mau-olhado”. Aí percebi que poderia ter sido vítima de minha própria percepção a respeito do momento que estou vivendo.

Nossa mente, como já dissemos, está a todo tempo preocupado em nos salvar, em nos proteger. No entanto, muitas vezes, não temos como saber se estamos vivendo uma situação fantasiosa, produzida pela mente. Na prática, muitas vezes vivemos na mentira – de uma falsa avaliação do passado ou de uma preocupação com o futuro que não existe.

Também sabemos que tudo no Universo age em sintonia. Onde eu estava mesmo com a cabeça ao comprar os incensos? Acreditando em conspirações contra mim? Talvez. Ou porque, simplesmente, gosto do cheiro de canela e, um dia, disseram-me que era o aroma da prosperidade.

Por via das dúvidas, acendi um incenso que, no rótulo,dizia: “relaxament, boas energias”. Bem melhor. E você? Em que tem acreditado? Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

  • Share/Bookmark