Archive for March, 2009

Estes dias atrás eu conversava com alguns alunos e um deles reclamou: “ninguém me ouve na empresa, professor!”. Ele se referia à participação em reuniões, em que eram todos motivados a falar. No entanto, ele tinha uma incrível dificuldade em dar sua contribuição.

Então, eu lhe comentei sobre minha própria experiência. Afinal, eu também tinha passado por situações semelhantes, em que ficava tentando falar em reuniões, mas a todo instante que eu tentava dizer algo, outra pessoa me passava à frente, mesmo que meu dedo estivesse apontado para cima, solicitando a vez de falar.

Pois bem. Um dia, muito enfurecido, começou uma reunião. Eu estava visivelmente incomodado. Afinal, para que eu iria participar, se ninguém ia me ouvir mesmo?

Na reunião, minha postura foi ficar quieto. Apenas observando. Anotava falas importantes, prestava atenção a todas as contribuições interessantes e a todas as bobagens que saiam das mentes ávidas por aparecer.

Curiosamente, naquele dia, quase no final da reunião, um dos líderes parou um instante e me perguntou qual era a minha opinião. Meio sem jeito, pois foi inesperado, disse poucas palavras, tocando direto ao ponto em que eu acreditava ser importante. Na opinião deles, fui objetivo e claro.

Continuei desta maneira em outras reuniões. Agora, muito tempo depois, quando eu tenho a iniciativa de falar, tenho voz ativa.

Só posso imaginar que isso deve-se ao fato de que aprendi a ouvir.

Vejo isso com relação a outras pessoas. Quando estou falando, aceito todas as interrupções. Mas, oh, se faço um comentário, elas perdem o raciocínio e reclamam de mim. Ou, em outra situação, mantenho-me quieto, prestando atenção, sem dizer uma só palavra a não ser um “ahn-han” ou algo semelhante, que concorde ou demonstre atenção. Então, neste caso, sou bom ouvinte e todos gostam de mim.

Quer saber de uma coisa? Muita gente diz que é ótimo conversar comigo, mesmo sem perceber que foi um monólogo – somente eles “conversaram”.

O mundo todo quer falar. Se você for a pessoa que vai escutar, pode ser que ganhe muito mais do que imagina. Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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Olá, amigos! Estou de volta.

Estava tentando alterar a versão do sistema, mas deu muito problema. Então, resolvi começar tudo de novo. Mas, tenha certeza, tudo está guardadinho, em cópias de segurança!

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Hoje tive uma aula interessante com o Miguel Carcavilla e a Suely Nishimura. Eles tocaram em um assunto interessante, que vou ilustrar com a estorinha que o Miguel nos contou.

Ele se posicionou em pé, no meio da sala e pediu para descrevêssemos como nos parecia em termos de equilíbrio. Todos, sem julgamentos, apenas com os canais descritivos à flor da pele, concluímos que ele encontrava-se em perfeito equilíbrio.

Então, ele pediu para que lhe empurrassem. O que foi feito, sem muita força. Então, seu corpo movimentou-se, a perna direita indo um pouco para frente. Na nova posição, ele pediu para que descrevêssemos o que acabáramos de ver.

- Você estava em equilíbrio, a Suely lhe empurrou, causando um desequilíbrio. Então, você deu um passo à frente, com a perna direita, restabelecendo seu equilíbrio, mantendo-se em pé.

- Muito bem! Agora, vejam o seguinte. Se eu permanecer muito tempo assim, vou me cansar, então tenho que voltar à posição anterior, em que o equilíbrio era mantido com os pés um ao lado do outro… certo?

- Certo! – concordamos todos.

- Mas, vamos ver de outro modo – continuou Miguel – Se o empurrão fosse bem mais forte, talvez eu precisasse de mais passos para me equilibrar e, talvez não fosse suficiente. Ou seja, talvez eu não estivesse preparado o suficiente para me manter em equilíbrio com um empurrão mais forte e, neste caso, o tombo é inevitável.

Entendemos todos que nossa missão é nos prepararmos sempre para novos desafios. Manter-se em pé não é necessariamente fácil, embora seja uma idéia simples.

- Outro aspecto interessante – continuou o professor – O que é o caminhar? Vamos ver o que é um passo. Neste caso, saímos de uma posição de equilíbrio, causamos em nós mesmos um leve desequilíbrio, levando uma de nossas pernas à frente, depois de firmar a primeira, trazemos a outra perna alinhando os pés e, novamente,  podemos alcançar a posição de equilíbrio. Veja bem, caminhando, essa sequência equilíbrio-desequilíbrio ocorre e nos impulsiona para a frente.

Concluímos, então, que em equilíbrio, muitas vezes ficamos parados e, na maioria das vezes, é o desequilíbrio que nos faz movimentar. Isso nos faz entender porque nossa vida é assim tão agitada. Todos sabemos que não viemos em férias, mas para aprender e nos desenvolver.

Então, que o desequilíbrio necessário seja suficiente para nos conduzir adiante e que, sempre, consigamos alcançar algum equilíbrio, para manter nossas conquistas!!

Pense nisso. Até a próxima semana!

Rodolfo Nakamura

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